Mulher-Maravilha: Quando um personagem bem construído fala mais alto

Mulher Maravilha o filme

Mulher Maravilha o filme

O tão aguardado longa da Mulher-Maravilha chegou aos cinemas brasileiros há menos de uma semana atrás e devo confessar que fiquei surpreendido. Repleto de ação na dose certa, muitos efeitos especiais, uma atriz competente, figurino à caráter e uma história muito bem montada por trás o filme não só introduz uma personagem mas também a faz ser cativante a todos os fãs da DC.

Não e segredo a ninguém que os longas produzidos pela DC são muito bem feitos. Veja os resultados de Homem de Aço, Batman vs Superman, Esquadrão Suicida e agora Mulher-Maravilha (este último com apenas uma semana nos cinemas já arrecada mais de US$ 223 milhões) e saberá do que estou falando. É incrível como a equipe de roteiristas nunca erra e chega perto da perfeição nos tramas. 

Quando a Mulher-Maravilha foi apresentada em Batman vs Superman a sensação é de que a heroína estava lá apenas preenchendo um espaço que os diretores de alguma forma achavam ser necessário. Não me levem a mal, a presença dela no filme faz todo o sentido e a contribuição da personagem foi válida e a tática de Hollywood deu certo. Todos ficaram com a incógnita de quem era Diana, de onde ela veio, o que ela fazia antes de se juntar a Batman e Superman. Pois bem, Mulher Maravilha vem sanando todas essas lacunas e me obrigando a dizer que a espera valeu a pena.

Gal Gabot, que mais competente seria impossível, dá vida à princesa de Themyscira, terra das amazonas, criadas do barro e dadas vidas por Zeus. A medida que o longe se desenvolve o espectador conhece da origem de Diana, das mulheres guerreiras criadas para proteger os homens. A princesa, que cresce com o anseio de lutar como amazonas e ter a liberdade que sempre sonhou se vê num dilema ao conhecer o primeiro homem. Digo, pessoalmente, já que Diana expressa conhecer os homens mesmo que seja apenas por ouvir falar. Como um homem vai parar no país das amazonas, isso você só irá descobrir assistindo o filme.

Diana amadurece a cada cena, a personagem cresce e conquista a todos pela determinação e pulso firme aliados a um rosto angelical sob trajes de guerra. As cenas de ação seguem no mesmo estilo que a Rockstar vem apostando nas produções mais recentes. Nada de luta corpo a corpo de verdade, em velocidade altíssima e com muito efeitos, a sensação é de que estamos assistindo uma personagem de algum videogame, mas ainda assim são boas. Melhores são as cenas de close e câmera lenta das amazonas em ataque. Essas são ótimas e as fazem por um segundo parecer quase angelicais mas sem perder a força.

O desenvolvimento da personagem é incrível, seus trajes ganham cores (saindo do tom bronze da sua primeira aparição e se assemelhando mais as versões dos desenhos animados em azul e vermelho), e lhe acrescentaram até uma espada e escudo.

Outro aspecto muito bom é a forma como Diana acredita em seus princípios. A procura incessável pelo o que ela acredita ser o causador da guerra, a crença nos deuses do Olimpo, tudo isso é muito fixo para ela e se misturar com a sociedade “moderna” sem perder os essas ideias foi um desafio. 

Mulher-Maravilha chega um momento chave. O filme não se trata de um simples longa apresentando a personagem enigmática de Batman, mas tem até um cunho filosofal por trás dele. Gal Gabot não mostra em momento algum insegurança ou ativa o “modo donzela” de ser com a personagem e nos deixa pensando: Em um tempo onde o feminismo é defendido e muitas vezes confundido com intolerância, ter um filme de uma super-heroína que vai além da linha de frente de uma tropa de guerra, jogando tanques pelos ares e acredita em reprodução sem a necessidade de homens mostra um perfil de mulher em frente as telas bem diferente do que normalmente nos é passado, não é verdade? É a prova que quando um personagem é bem construído, não há a necessidade de apelar para outros meios.

O filme vale seu tempo, acredite. Mulher-Maravilha vem para iniciar aquela será a década de filmes femininos por assim dizer. O segundo filme da franquia da princesa já está confirmado e você ainda a acompanhará em Liga da Justiça. Além dela, a Marvel já anunciou Capitã Marvel (Brie Larson) para 2019. Arlequina (Margot Robbie) também será a próxima a ter um filme próprio. Já Viúva Negra (Scarlet Johanson), integrante dos Vingadores, ainda em segue negociações.

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